segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dez mandamentos para professores

1. Tenha interesse por sua matéria.
2. Conheça sua matéria.
3. Procure ler o semblante dos seus alunos; procure enxergar suas expectativas
e suas dificuldades; ponha-se no lugar deles.
4. Compreenda que a melhor maneira de aprender alguma coisa é descobri-la
você mesmo.
5. Dê aos seus alunos não apenas informação, mas know-how, atitudes mentais,
o hábito de trabalho metódico.
6. Faça-os aprender a dar palpites.
7. Faça-os aprender a demonstrar.
8. Busque, no problema que está abordando, aspectos que possam ser úteis
nos problemas que virão — procure descobrir o modelo geral que está por
trás da presente situação concreta.
9. Não desvende o segredo de uma vez — deixe os alunos darem palpites antes
— deixe-os descobrir por si próprios, na medida do possível.
10. Sugira; não os faça engolir à força.

George Pólya

sábado, 21 de abril de 2012


Semana dos povos indígenas: Festa ou luta contra o preconceito?

Claudia Angela as Silva

No último sábado dia 14/04 os Rappers do grupo indígena Brô Mc’s, Bruno Veron, Clemerson Batista, Charlie Peixoto e Kelvin Peixoto, moradores da reserva indígena de Dourados Mato Grosso do Sul, apresentaram-se no programa da Xuxa para mostrar ao Brasil a sua música na língua Guarani e no português em comemoração ao seu dia. O grupo já se apresentou em vários shows pelo país expondo por meio de suas músicas a realidade da aldeia e dos indígenas da região. Devido à semana dos povos indígenas muitas escolas e a própria mídia enfatizam o dia do índio. Desta forma muitas atividades estão sendo realizadas para comemorar o dia 19 de abril com vários eventos dedicados à valorização da cultura indígena.
Após esta apresentação no programa de televisão surgiram alguns comentários preconceituosos em relação aos indígenas, sendo o destaque da semana na região conforme informações divulgadas nos meios de comunicações.
O dia do índio, 19 de abril, foi instituído pelo presidente Getúlio Vargas em 1943 através do decreto lei número 5.540, para celebrar o dia do indío. A data 19 de abril tornou-se foi escolhida, pois neste dia foi realizado no México, o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano e, por conseguinte foi escolhido no continente americano como o Dia do Índio.
O dia do índio é comemorado em todo país por diversos povos indígenas. Um destaque desta celebração, ocorreu na reserva indígena de Dourados na escola Municipal Tengatuí Marangatu, em que teve jogos, apresentações de musicas, desfile para escolher o garoto e a garota da escola. A semana dos povos indígenas é comemorada nas aldeias com muita festa, uma data importante onde todos os holofotes estão em direção às comunidades indígenas.
A semana de comemorações dos povos indígenas existem para que eles sejam lembrados e para que todos possam refletir sobre a cultura diferenciada destes povos em todo país, mas além da comemorações existe uma luta contra o preconceito de muitos não-indígenas, sendo que estes povos lutam contra estes preconceitos até nos dia de hoje.
Diminuir o preconceito para com os indígenas parece algo não muito simples, mas aos poucos os indígenas estão ocupando seus espaços e contribuindo para diminuir estes preconceitos existentes da sociedade. A semana do dia 19 abril é para que haja uma reflexão de como a cultura indígena está e também de luta contra o preconceito revelando também a grande importância desta cultura para o país.

Ninguém lê reportagem sobre índio

Por Ângela Kempfer (*)
Há muito tempo penso no que faz alguém odiar um povo inteiro e sair por aí reproduzindo discursos preconceituosos em um estado com uma das maiores populações indígenas do País. Se todo mundo na Europa gosta, porque aqui não?
Digo isso porque no jornalismo aprendemos na lida diária que falar de índio não vende jornal. Nem tragédias envolvendo essas comunidades são reportagens bem lidas por aqui.
E isso não é um chute, é constatação durante 3 anos administrando uma redação e olhando com atenção esse tipo de estatística, gerada minuto a minuto no jornalismo on-line.
Basta usar um título com a palavra índio ou indígena para seu material na internet ser um dos menos lidos no ranking de notícias do Google. "Índio de 2 anos morre atropelado na BR-163", manchete com um décimo das leituras de “Criança morre atropelada na BR-163”. Foram os leitores que deram a prova cabal: “índio não é gente”
A sorte no meu caso é que também aprendi a não acreditar cegamente no que dizem as estatísticas e sempre trabalhei em veículos que respeitam o que é noticia, não apenas o que é mais lido.
Como adolescente em Dourados, também passei bons anos ouvindo os “bugres” na porta de casa pedindo “pão velho”. Não, não é só poesia de Emanuel Marinho, é verdade. Eles pedem realmente pão velho.
Mesmo com a pouca idade, aquela frase para mim parecia algo sem lógica. Mas depois entendi que os homens e mulheres que apareciam no portão não se arriscavam a pedir coisa melhor porque nunca conseguiram de graça nada além de pão velho, então, se habituaram a tentar o que ninguém mais queria.
Mas foi roubando manga em dia de visita de escola à reserva indígena que levei o troco. Sem graça, catando ligeiro o que uma colega jogava lá de cima da mangueira, de repente vi uma menina guarani ao lado oferecendo uma sacola maior.
Sai de lá com “manga coquinho” suficiente para a turma inteira e me sentindo uma idiota por achar que alguém ali iria negar uma manga, talvez porque na minha casa todo mundo chamaria de ladrão uma pessoa que entrasse e pegasse algo sem pedir.
Cada um tem os seus motivos para defender uma bandeira, eu sempre descobri os meus dentro de uma aldeia. Uma dessas vezes foi em uma oca de mais de 10 metros de altura, em outra comunidade de Dourados.
Sob aquela arquitetura perfeita, uma família guarani sem dentes exibia o feito do dia com um largo sorriso: encontrar 8 frangos podres a beira de uma estrada.
O primeiro e principal motivo, nesse meu caso, foi a admiração pela capacidade desse povo ainda conseguir ensinar, apesar de ter tão pouco daquilo que as pessoas costumam prezar: o desnecessário.
Também já vi pai desesperado tentando diminuir a dor de dente de um filho aos berros em aldeia de Tacuru, retirando o que podia da cárie com palito de dentes. Assim como vi uma senhora tirando farpas dos pés marido como se fosse um ato de amor, assim como conheço a arquitetura desses povos e sei das contribuições que nunca foram tão atuais, como a sustentabilidade.
Já conheci índio bandido, índio cantor, índio risonho, índio vereador, índio professor, índio assassino, índio assassinado, índio pobre...até porque índio é gente e gente é assim, de tudo um pouco.
Nunca vi índio rico assim como a gente sonha em ser. Não aqui em Mato Grosso do Sul.
Na verdade, nunca nem sequer conheci um índio nas aldeias que quisesse ser rico. Tive a sorte de conviver com pessoas que têm a felicidade em um pedaço de terra, como uma senhora terena na Aldeia Limão Verde, em Aquidauana, que cega contava não ter mais nenhuma importância o enxergar, porque já tinha visto de tudo mesmo e agora só queria era aproveitar a paz do olhar para “pensar melhor”.
Nunca entendi como alguém sem ter pisado em uma aldeia ou participado de uma Aty Guassu (grande assembleia guarani) pode saber tudo sobre “índios fedorentos”, “oportunistas”, “manipulados” e “vagabundos”.
Nós últimos anos também foi difícil compreender tantos outros episódios. Nunca entendi como a morte de 2 crianças indígenas gêmeas em Campo Grande, no mesmo dia, na mesma hora, em um terminal de ônibus, em 2010, também não foi fato suficiente para gerar uma investigação.
Por anos guardei na gaveta um fax com as portarias da Funai que criaram em 2008 grupos de estudo para demarcação de terras na região sul do Estado, até as palavras sumirem do papel. Fico pensando na indignação de quem vê isso há gerações. Se a maioria não quer ler nada sobre os índios, imagine quem quer ouvir.
Tudo isso parece tão piegas quando eu mesmo releio os parágrafos anteriores... mas é só uma verdade, a que eu conheço e que senti vontade de dividir, como a menina guarani, dona do pé de manga.
(*) Ângela Kempfer é jornalista e editora do Lado B